O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), em entrevista ao site Terra Magazine, afirma que apenas para Aécio Neves, e “só ”para ele, seu partido abriria mão de indicar o candidato a vice-presidente na coligação com o PSDB em torno do candidato a presidente José Serra. Segundo Rodrigo Maia (RJ) os democratas se sentiriam “muito bem representados por Aécio Neves". Leia. Abaixo, a íntegra da entrevista: Terra Magazine - Algumas figuras políticas têm minimizado o resultado das pesquisas eleitorais. Como o senhor avalia isso e como é a relação do DEM com as pesquisas? Rodrigo Maia - A pesquisa que vale para cada um de nós é aquela que fazemos mensalmente de qual é o nosso desempenho em relação àquilo que projetamos em cima de nossa estratégia. Acho que, desqualificar pesquisas de terceiros não é bom, independentemente de existirem erros, porque isso pode acontecer em qualquer pesquisa. Nós deveríamos, ao invés desqualificar pesquisas, ter as nossas avaliações e, em cima delas, rever nossas estratégias permanentemente. Com que olhos o senhor analisa o crescimento da pré-candidata petista? É natural que Dilma tenha crescido. O governo está operando muito. O presidente Lula e ela própria estão usando a máquina pública de forma permanente para a candidata ficar mais conhecida e transformar isso em intenção de voto. Fora isso, é natural que a candidatura do presidente, bem avaliado, apresente crescimento. Causa preocupação? Não tenho preocupação, não me incomodo e não me assusto porque o número em si não é importante. Devemos ter clareza de que, com a força da máquina do governo e com o desrespeito às leis por parte do presidente e da própria ministra na antecipação da campanha, é natural o crescimento de Dilma. Era claro que ela ia crescer desde o final do ano passado. Teve o comercial do PT, lembra? Devemos manter a tranquilidade e analisar os números, que mostram o crescimento. Mas, por outro lado, também apontam que ela cresceu na base do presidente. Os votos de Ciro Gomes (PSB) foram pra ela - nesse momento -, já que ela está em campanha e Serra não. Se olharmos por dentro, os votos que sobraram de Ciro tendem a caminhar para Serra. E então, o que fazer como estratégia eleitoral? Como estratégia, devemos trabalhar esses eleitores que a princípio não votam na ministra. Para que, com a desistência de Ciro, possamos continuar projetando uma vitória no primeiro ou no segundo turno. Independentemente do número, Dilma tem espaço para crescer, mas o patamar dela vai se manter nesses 28% e o que tem de voto ainda com Ciro, caso ele deista da candidatura, tende a caminhar para Serra. Uma situação assim nos daria a vitória no primeiro turno, o que é um bom dado. Mas o que vai decidir a eleição é o processo eleitoral. O senhor era um entusiasta da antecipação da decisão de Serra. Como está isso? O candidato já foi escolhido. Aécio já escolheu o candidato quando desistiu. Então, ninguém discute mais quem é o nosso candidato. Nosso candidato é o governador de São Paulo. Essa era uma questão minha e de todos. O mês de fevereiro já acabou. Carnaval. A partir de março vamos investir nas nossas alianças regionais, que é o prazo para anunciarmos a candidatura. Na segunda quinzena de março, Serra vai ter que anunciar sua saída do governo e renunciar até o final do mês. O prazo está dado, não tem muito o que discutir. O senhor criticou muito essa espera, de Serra... Mas olhando para traz, esse crescimento rápido de Dilma era inevitável. A utilização da máquina foi de forma tão brutal que ninguém teria condição de segurar esse primeiro crescimento. Talvez, a decisão de Serra de se preservar tenha sido correta. Mas o importante é que soubessem quem seria o candidato. E, desde quando Aécio desistiu, aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas tratam Serra como candidato. Não tem muito mais problema em relação a quem é o candidato e como trabalhamos o nome dele em reuniões políticas. Temos um caminho grande de trabalho tanto em cima dos eleitores de Ciro, quanto em cima dos indecisos. O senhor não acha que o eleitor pode confundir o uso da máquina com o uso da popularidade de Lula? Não acredita que a ministra esteja certa em usar a popularidade de Lula em favor dela? Não faria o mesmo? Opa, total, total. Tem que tirar proveito disso. Claro! Mas, uma coisa é tirar proveito da popularidade, outra coisa é usar dinheiro público para montar a estrutura de pré-campanha da candidata, em que os discursos são nitidamente eleitorais. O que o governo inaugura para transformar Dilma mais conhecida é algo fora do comum. O que criticamos é isso. É natural que Lula, popular, faça campanha da sua candidata, mas não pode ficar fazendo palanque pelo Brasil de obras que nem terminaram. Nós criticamos essa utilização da máquina pública em inaugurações com discursos eleitorais. É natural e legítimo que as pessoas que querem a continuação desse governo tenham Lula e o candidato dele como referência. O jornal O Globo publicou que FHC banca Aécio como vice de Serra, uma chapa puro sangue. O que o senhor acha disso, tendo em vista que esse seria o lugar do seu partido? Estive com Aécio há alguns dias e não ouvi isso dele. Muito pelo contrário, ele disse que a prioridade dele é Minas Gerais. É claro que a maioria dos políticos considera que a decisão de Aécio de aceitar ser vice é muito importante para a nossa eleição. Agora, isso não quer dizer que ele já tenha aceitado. Eu não apostaria nisso hoje, eu acho que ele não aceitou e mais, acho que ele não pensará sobre isso até renunciar ao governo de Minas. Essa informação não bate com o que eu ouço dele. Mas o que o senhor acha da ideia? Pode ser uma intenção correta do presidente Fernando Henrique que, pela experiência que tem, sabe que a chapa Serra e Aécio, pelo menos num primeiro momento, vai sinalizar uma expectativa muito grande de vitória para a oposição. O senhor defende essa chapa puro sangue? Eu defendo sempre que a chapa seja composta pelos dois principais partidos da oposição. Mas não posso negar que o nome de Aécio gera uma expectativa de vitória muito grande naqueles que formam a opinião na política. Para nós, isto é muito importante, então não adianta eu trabalhar contra isso. O partido Democratas vai respeitar a decisão de Aécio e, caso ele aceite ser vice, entendemos que é uma decisão importante para a oposição. Se ele não aceitar, escolheremos um de nossos nomes. Sem dúvida nenhuma, não dá para negar que a decisão de Aécio de aceitar fortaleceria muito nossa estrutura. O que Aécio atrai para essa coligação que faz com que o DEM abdique do cargo de vice? Expectativa de poder. Por exemplo, prefeitos que, mesmo ligados à oposição, ainda estão em cima do muro podem se aproximar por causa dessa expectativa de vitória. Se ele aceita, pode aproximar esse setor que está tímido. Pelo o que ouço tanto aqui no Rio, quanto em Brasília, essa é uma decisão muito importante. O DEM pensa em indicar alguém? Mais importante do que indicar alguém para ser vice é que possamos vencer as eleições. Não é um adversário qualquer. É um governo forte. É um presidente muito popular. É um partido e um presidente que não consideram as leis tão relevantes. Será uma eleição muito difícil. Então, temos que agregar aquilo que for melhor para a aliança. Como te disse, se Aécio quiser ser vice, cederemos. Fora Aécio, não cedemos para ninguém do PSDB. Entendemos que ele traz Minas e a história de sua família. Ele agrega muito valor e, fora ele, não há ninguém no PSDB que tenha condições de tirar a vaga de vice do DEM. Aécio é muito próximo de nós. Nos sentiríamos muito bem representados por ele. Não abrimos mão da vaga se Aécio não aceitar o posto. Se ele disser sim, o DEM não indica vice, é isso? Só Aécio. Só ele. Só. Ele aproxima partidos e sinaliza expectativa maior de vitória. Ele é um quadro do PSDB, mas como se fosse também dos Democratas. |